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Cuiabá , 05 de Setembro de 2010  
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 14/05/2010 - Aparência no corpo físico

 



Não esqueçamos que a aparência no corpo físico é indispensável para o sucesso. Molambos, descuidados, não vão longe.

Mas é claro que, ao mesmo tempo, é preciso cuidar da imagem “de dentro”, a que na verdade fala mais alto, nos revela. Poucos fazem isso, razão maior de tantos fracassos profissionais e casamentos desfeitos. São apenas imagens que andam.

 

 
 14/05/2010 - Invista na sua aparência, retorno é garantido

 



Leitora, vamos viajar? Claro, o leitor também está convidado. Mas apenas espere um pouquinho, vou fazer uma pergunta à leitora. É a seguinte. Supomos que alguém, um namorado, o marido, um amigo, lhe chegasse no dia do seu aniversário com um presente embrulhado num pedaço de jornal, o que você pensaria?

Aposto que pensaria que o amigo, o namorado, o marido, quem fosse, a teria subestimado, imagine um presente de aniversário embrulhado em jornal…

Mas ao abrir o pacotinho você nele encontraria um deslumbrante anel de diamantes… E aí, o que pensaria? Aposto, outra vez, que você diria da sua surpresa, do seu encanto, da sua jubilosa surpresa, enfim. E o que teria acontecido? Apenas que você teria, no primeiro momento, julgado o presente pela embalagem. Fazemos o mesmo com pessoas, o mesmo. As vemos na rua fantasiadas, escondidas debaixo de grifes caras, e as imaginamos ricas ou muito melhor do que são. Na verdade, essas pessoas costumam valer muito pouco, elas usam das fantasias dos trapos caros para esconder suas pobrezas e desesperos interiores.

Vim até aqui porque acabei de ler um texto de propaganda de roupas que tinha por titulo o seguinte: “Invista na sua aparência. O retorno é garantido”. Discordo, discordo no todo, não na parte. Quem se cuida, quem se esmera para passar uma boa imagem e por ela enviar sinais de respeito e posição, tudo bem, nada contra. O que não pode é a pessoa ser vazia por dentro e andar debaixo de trapos, de “retalhos” caros, que é o que mais se vê na noite, nos shoppings, nos carrões, por aí tudo, o que mais se vê. Quando essas pessoas tiram a roupa – e falo no sentido figurado – mostram-se quem são: nuas. Sem nada por dentro.

Por mais que nos escondamos debaixo de roupas caras, a personalidade sempre vai aflorar, aparecer. E aparece em momentos de absoluto desaviso, de modos inadvertidos, numa palavra, num gesto, num gosto, numa vulgaridade. Ninguém escapa.

Aliás, não foi por outra razão que já disseram que diante de quem tenha olhos de ver e ouvidos de ouvir, não há segredos. Revelamo-nos por todos os poros. Cuidar da aparência é indispensável para que nos façamos respeitar e respeitar os outros, mas que não busquemos nas roupas, nos carros, nas joias, mostrar o que não somos. O que somos aparece quando estamos nus…

 

 
 13/05/2010 - Casados não conversam

 



Pode soar como pândega, tenho certeza de que não é… Numa dessas notícias de internet, lia-se: “Casadas conversam mais com o cachorro do que com os maridos”. Não duvido. Aliás, os casamentos acabam quando acabam as conversas entre os parceiros. E as conversas acabam logo depois que descem do altar…

 
 12/05/2010 - Dinheiro não traz felicidade

 



Os perdedores na vida consagram frases de perdedores. Quer uma prova? Aqui está. Duvido que você já não tenha ouvido alguém dizer que “dinheiro não traz felicidade”.

Claro que você nunca vai ouvir esta frase de uma pessoa rica, bem-sucedida, decentemente bem-sucedida, quero dizer. E se digo decentemente bem-sucedida é porque o que há por aí de “gentes” com dinheiro, mas indecentes, é caso de polícia. E caso de polícia não é modo de falar, é de polícia mesmo…

Bom, também não quero entrar na lista dos frasistas do fracasso, tipo dos que dizem que “mais fácil é um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus…” A frase é tão estúpida que nem vou perder tempo com ela.

Volto à tal história de o dinheiro não trazer felicidade. Ouvi, faz tempo, um economista americano dizer que nunca devemos dizer que dinheiro não traz felicidade sem antes termos no banco, pelo menos, US$ 1 milhão.

De fato, quem não sabe que dinheiro não garante felicidade, quem não sabe? Só para não deixar passar, sempre é bom lembrar que se dinheiro não garante felicidade, a favorece… E muito.

Não sei por que dei tantas voltas e não fui logo ao ponto, ao que eu queria dizer. Digo agora. Se você der um circulada por aí, no shopping, por exemplo, vai ver muitas e muitas pessoas “bem embrulhadas”, isto é, bem-vestidas. Vai ver gente com grifes famosas e caras por todo o corpo, carrões na calçada, isso e aquilo. Mas toda essa fantasia de disfarces não engana a quem tenha olhos de ver e ouvidos de ouvir. A pessoa se revela por todos os poros. A personalidade medíocre transpira mesmo quando “escondida” por bons tecidos. A mediocridade vê-se pelas janelas do carrão e, mais do que tudo, a pobreza interior escapa naturalmente pelos lábios, manifesta-se nas palavras. Fala, se quer que te conheça.

Dessa verdade toda, sobra que o melhor investimento deve ser feito em você mesmo, na sua qualidade interior, a única qualidade que lhe vai garantir bons negócios, amizades duradouras e grandes paixões. Uma pessoa de qualidade (rica por dentro) provoca furacões em corações inteligentes. Agora, imagine se você ainda tiver dinheiro… Cruzes!

 
 11/05/2010 - Conselho para filhos

 



Precisamos dizer aos filhos que certas ações os vão colocar em risco, uma trapaça qualquer, por exemplo. Quando pegada, quando descoberta, a pessoa vai se arrepender tanto que saberá aí, nesse momento, que nunca vale a pena tentar uma vantagem espúria. O preço é muito alto, só os estúpidos não veem e não pensam nisso.

 

 
 10/05/2010 - Jogador de Futebol X Atriz Global

 



No passado, podia soar como coisa romântica. Mas esse “romântico” bem que podia ser esperteza de muitas mulheres. Do que falo? Das mulheres que diziam — ao noivar — que queriam, mais tarde, já casadas, ter muitos filhos. Cansei de ouvir essa bobagem. Aliás, ouço-a até hoje.

Faz pouco tempo, uma jovem atriz de novelas da Globo casou com um jogador de futebol e foi com ele morar na Europa. Ao sair daqui, ela disse que queria ter muitos filhos. Não sei se disse isso da boca para fora, para contentar o bermudão, ou se, de fato, falava a verdade.

Como ela está hoje? Claro, separada. Encerrou uma bela carreira de atriz em nome de um casamento que se sabia não ia dar certo.

Mas por que estou nesse assunto? Imagino que seja esta a pergunta da leitora e do leitor que estica o ouvido… Simples. É que tenho uma manchete diante dos olhos que bem dá uma prova de que as mulheres — ou seriam os casais? — têm, hoje, mais juízo do que jamais tiveram.

A manchete diz assim:

Paulistas têm cada vez menos filhos

A notícia diz que os casais, mais as mulheres do que os homens, não querem mais muitos filhos. Um é bom, dois são, talvez, desejáveis, e três filhos, nem pensar…

Faz sentido. Os filhos são da mãe, da mulher, ela é quem fica com eles na infância,sem os cuidados da mãe os filhos não “crescem”, vegetam. De outro lado, como pode uma mulher tornar-se independente na vida tendo muitos filhos para cuidar?

O mundo mudou, acabaram-se os casamentos para toda a vida, hoje duram pouco, uma mulher só pode desejar ter muitos filhos ou se for louca ou muito rica…

Aliás, nunca houve sobre a Terra uma mulher que desejasse ter muitos filhos, nunca. Aquelas coitadas do passado, que tinham levas e levas de filhos, eram indefesas, sem voz, não conheciam pílulas anticoncepcionais, não podiam se defender com camisinhas, os maridos não as aceitavam, os brutos não queriam nem saber, era filho e filho… E as pobres mulheres passavam pela vida parindo, quando paravam faltava pouco, pouco para morrer. De cansadas, de esgotadas.

O pessoal em São Paulo tem cada vez mais juízo na cabeça, poucos filhos, cada vez menos. Só assim a mulher pode conquistar independência e a família manter-se unida por mais tempo. Ou alguém ainda acha que mulher em casa, cheia de filhos e sem dinheiro, segura marido?

Nem a Miss Mundo!!!

 

 
 08/05/2010 - Sônia Bridi, nossa formidável repórter

 



Sônia Bridi, nossa formidável repórter da Globo, conta no seu livro — Laowai — que quando morava na China e saía de carro alugado para fazer uma reportagem e pedia ao motorista que parasse em tal lugar, ele não parava. Mas se fosse o marido dela, o cinegrafista Paulo Zero, o motorista parava. Mulher não tem voz na China. E aqui, tem?

 

 
 05/02/2010 - ENTREVISTA COM O MINISTRO DO TURISMO, LUIZ BARRETTO

 



   Conheça as metas do Ministério do Turismo para o Brasil e a Copa de 2014, além das lembranças futebolísticas de Barretto, um fã deste esporte.

   O ministro do Turismo, Luiz Barretto, no Estádio do Morumbi, em São Paulo.Nesta entrevista, o ministro Luiz Barretto aponta os desafios e as prioridades traçadas pelo Ministério do Turismo para que a infraestrutura turística se desenvolva e sirva não só à Copa de 2014, mas que fique como herança aos brasileiros e ao País. “O principal legado de um evento como a Copa é acelerar ações de qualificação profissional e investimentos em infraestrutura.”

   São-paulino de várias gerações, o ministro também revela suas preferências e mais valiosas memórias do futebol, sem deixar de contar algumas expectativas para a Copa do Mundo no Brasil.

Quais são os benefícios da realização da Copa do Mundo no Brasil?


A Copa do Mundo é uma das maiores, talvez a maior oportunidade do turismo brasileiro neste século. É uma grande chance de o Brasil se tornar mais conhecido, dar um salto de qualidade e, ao mesmo tempo, acelerar obras de infraestrutura que talvez, se não fosse a Copa, demorariam mais tempo. O principal legado de um evento como a Copa do Mundo é acelerar ações de qualificação profissional ou investimento em infraestrutura.

E os desafios?


Primeiro há muito planejamento. Esta é a palavra-chave, ter um bom planejamento. Também é preciso atribuir as responsabilidades de cada ente federado, o que é responsabilidade do governo federal, dos governos estaduais, das prefeituras, da iniciativa privada e da FIFA. E, dentro do governo federal, separar as atribuições de cada área, de cada ministério. A Copa será brasileira. Nem alemã nem sul-africana. Isso significa que temos que dialogar com as potencialidades do Brasil, com as virtudes, com as nossas dificuldades de um país em desenvolvimento.

A Copa ajuda, mas não é a panaceia para resolver todos os problemas de uma hora para a outra. Acho que há temas gerais que são fundamentais, como a mobilidade urbana, os transportes públicos, a questão dos aeroportos, das arenas esportivas. Sem arena esportiva, sem uma melhoria na mobilidade urbana, sem um sistema aeroportuário melhor e sem uma rede hoteleira adequada, você não tem uma boa Copa do Mundo. Em relação ao turismo, há quatro temas fundamentais: hotelaria, qualificação profissional, promoção e infraestrutura.

Começando pela hotelaria, o que há para ser feito? 

O Ministério do Turismo não constrói hotel nem faz gestão direta de hotéis. A contribuição que podemos dar são as linhas de financiamento. Estamos discutindo com o BNDES para avançar com isso, para que possamos ter uma linha de financiamento para a reforma e a ampliação do atual parque. E não é só ter crédito e juros baratos, é fundamental permitir o acesso ao crédito.

As regiões Sul e Sudeste do País precisam mais de reforma e modernização do atual parque hoteleiro do que de ampliação.

E como se resolve o problema de acesso ao crédito?

Há muita dificuldade em se obter financiamento. Como o turismo é feito por pequenas e médias empresas, você muitas vezes tem a linha mas não dá condições de acesso, portanto, o que estamos tentando é uma engenharia financeira que conjugue o juro baixo com prazo mais dilatado de pagamento. Queremos que o pequeno e médio empreendedor hoteleiro, o dono de pousada, possa ter acesso.

Temos que vincular a questão do financiamento com qualidade e ter uma contrapartida mínima de classificação, de certificação, e pensar no tema da sustentabilidade ambiental e econômico-financeira. Ninguém vai sair construindo hotel onde não há viabilidade econômica.

Em tudo que se pensa para a Copa é muito mais importante pensar no pós-Copa do que durante a Copa, pois o fundamental para nós é saber o que exatamente de herança, de legado ficará.

Tudo o que se fizer nos aeroportos, tudo o que melhorar nos transportes públicos, na qualidade da hotelaria, fica para os moradores, fica para os brasileiros.

Quais são as metas para a qualificação profissional?

Temos que aproveitar a Copa para acelerar a capacitação do nosso receptivo, dos trabalhadores que lidam direta ou indiretamente com o turismo: taxistas, garçons, recepcionistas, policiais, guardas municipais, barraqueiros, artesãos...

Um destaque especial em relação a 2014 é a questão de idiomas: inglês e espanhol. Há que se aproveitar para dar um salto qualitativo e quantitativo também. Não estou falando em mestrado ou doutorado em outros idiomas, mas pensando em noções básicas que possam significar uma interação do turista com esses setores. Cardápios em inglês e espanhol são importantes e que o garçom possa manter uma conversa básica com o cliente.

Pensando no setor de feiras, que os caixas eletrônicos possam atender em inglês e espanhol também, que os sistemas de segurança municipais possam ter um destacamento para receber turistas nas 12 sedes e que falem coisas básicas do espanhol e do inglês. Então acho que podemos pensar em parceria com o trade, com a hotelaria e com os setores do turismo, para depois identificar as demandas de cidade por cidade. Tudo tem que ser muito pautado pela iniciativa privada, porque as cidades têm necessidades diferentes. A demanda em São Paulo é diferente da do Rio de Janeiro, da de Cuiabá, da de Natal. Para identificar essas diferenças estamos em diálogo permanente com as entidades do trade.

Temos uma meta de treinar 300 mil pessoas até 2014.

E já temos algo em andamento?

Em agosto começaram as aulas de inglês em espanhol no Rio de Janeiro e em Manaus. O curso será à distância, ministrado pela Fundação Roberto Marinho. Com esse piloto vamos fazer os ajustes necessários para estender os cursos para as outras dez cidades-sedes da Copa.

Quando pensamos em qualificação, pensamos sempre nos 65 destinos indutores. Para o turismo, a Copa não ocorrerá apenas nas 12 cidades. Quem vai à sede Rio de Janeiro pode ir a Angra, Parati, Búzios, Petrópolis. Quem vai a Belo Horizonte pode ir a Ouro Preto, Tiradentes. Quem vai a São Paulo pode ir à Baixada Santista, ao litoral norte, a Campos do Jordão. Quem vai a Porto Alegre pode ir a Gramado. O Ministério do Turismo tem que potencializar isso por meio da qualificação. Nossa meta é dotar os 65 destinos de um bom padrão de qualidade de atendimento até 2014.

E o que pensa em relação à promoção turística?

A Embratur terá um papel muito importante ao adaptar o Plano Aquarela para as oportunidades que um evento como a Copa traz. Vincular a imagem do Brasil à Copa vai tornar o Brasil mais conhecido, o que deve ser encarado como meta. Serão bilhões de pessoas que vão assistir aos jogos pela TV, o que dá muita projeção.

Temos que pensar na Copa dentro e fora dos estádios. A Copa fora dos estádios é até mais importante porque reunirá muito mais pessoas. Além disso, há que se pensar que a Copa não ocorre só em 2014. As oportunidades de promoção começam em julho de 2010, quando se encerrar a Copa na África do Sul. O planejamento é para quatro anos e para o pós-Copa, para tentarmos manter a exposição.

É uma grande oportunidade de projeção de uma imagem de Brasil, não?

Esta é uma questão muito importante. Que imagem o Brasil quer projetar para a Europa, para os Estados Unidos? Penso que a de um país moderno, sofisticado, dono de uma grande economia que tem a Embraer, a Petrobrás, que tem um turismo com vários segmentos, várias portas de entrada, belezas naturais, e também de um país de negócios. Que imagem de complexidade queremos passar?

Sobre o desafio da infraestrutura, o que temos de fazer no turismo?

Temos de melhorar os centros de convenções nos 65 destinos indutores para potencializar eventos antes, durante e depois da Copa. Melhorar a sinalização turística é fundamental, ter projetos que recuperem o patrimônio histórico.

Há intervenções em Olinda, em Parati, no Pelourinho, em monumentos ícones de Ouro Preto, Tiradentes, Salvador, São Paulo. É preciso potencializá-los como produtos turísticos para que sejam mais aproveitados.

Há que se melhorar as condições de acesso aos produtos turísticos, por exemplo, um destino que tenha uma estrada, uma pequena estrada que esteja ruim, é o caso de arrumar a estrada, de sinalizar.

Há outras ações para melhorar a infraestrutura das nossas orlas. Entregamos recentemente a orla de Maceió, estamos trabalhando na praia de Boa Viagem, em Recife, estamos trabalhando em Salvador.

É preciso pensar que as rodoviárias, por exemplo, são portas de entrada muito importantes para o turismo interno. Há também os aeroportos regionais. É provável que um dos 65 destinos, para ser mais atraente em 2014, tenha que ter um aeroporto. Estamos fazendo aeroporto regional em Aracati e Camocim, no Ceará. No Piauí, estamos inaugurando um aeroporto regional em Parnaíba.

Na Bahia já há um conjunto de aeroportos regionais que potencializa o turismo local, então deve-se pensar um pouco isso nos outros Estados.

E como financiar estes investimentos, ministro?

Para infraestrutura, a principal origem dos recursos será o Prodetur. Hoje, há uma linha de crédito de US$ 1 bilhão de financiamento. Estamos pedindo a extensão dessa linha em mais US$ 1 bilhão. Este valor seria usado para integrar as 12 cidades e as regiões turísticas.

É preciso possibilitar que as capitais que serão sedes possam entrar diretamente no Prodetur, sem a intermediação dos Estados, e permitir que os Estados que não entraram possam entrar.

O Prodetur é uma linha de financiamento com 20 anos de prazo de pagamento e juros baixos – muito vantajosa.

Sabemos que há outras ações importantes para o turismo que escapam à esfera de atuação exclusiva do MTur. Como está a relação com outros Ministérios e órgãos do Governo Federal em ações conjuntas?

Há um grupo de trabalho no Governo Federal do qual o Ministério do Turismo participa ativamente. O sistema aeroportuário, o sistema de mobilidade urbana e as arenas são os três grandes temas de que vamos tratar lá.

Em relação às arenas esportivas, o Governo Federal poderá ajudar, mas não haverá dinheiro direto do Orçamento Geral da União para estádios. Poderemos ajudar nos mecanismos de financiamento das arenas.

No tema da mobilidade é importante dizer também que vamos querer apoiar obras diretamente ligadas à Copa. Uma linha de metrô que integre o aeroporto com a arena e a rede hoteleira, por exemplo. Participaremos junto com os Estados na aceleração destas obras.

Temos que ter um plano específico para os aeroportos para resolver o que exatamente é gargalo para 2014.

Há muita coisa que o PAC já está fazendo. As obras na maioria dos aeroportos já estão no PAC, independentemente da Copa. Devemos aproveitar a Copa para poder ter um receptivo nas sete cidades-sedes que têm porto. Os navios podem ser uma complementação do sistema de acomodação. Então vamos trabalhar com os navios ancorados, já funcionou assim em Sidney, em Atenas, e pode funcionar aqui no Brasil.

E o diálogo com Estados e cidades-sedes?

Tenho certeza de que vamos ter um bom diálogo com prefeitos e governadores. Passou aquela fase da competição entre as cidades, agora já temos as 12 sedes escolhidas pela FIFA.

Agora é um diálogo realista, e é lógico que o Governo Federal não vai se eximir. O eventual fracasso de uma cidade é o fracasso do Brasil. Vamos fazer todos os esforços para termos uma grande Copa do Mundo, mas com parcerias e responsabilidades muito bem estabelecidas.

Falando em sedes, o ministro tem alguma preferência para a abertura da Copa?

Penso que o mais racional seria ter a final no Rio de Janeiro e a abertura em São Paulo, que são hoje os dois principais centros comerciais, industriais e futebolísticos do País.

Gostou da escolha das sedes? Foi boa para o turismo?

Eu acho que as sedes da Copa retratam bem o Brasil. Você tem Cuiabá no centro, o Pantanal, Manaus na Região Norte, você tem Brasília no centro, quatro cidades do litoral nordestino, Sul e Sudeste. O Brasil está todo representado. Acho que isso é um desenho que facilita o turismo brasileiro, facilita a consolidação de um Brasil com várias portas de entrada, de um Brasil que não está restrito ao Rio de Janeiro.

Há que se ter um projeto integrado para o Nordeste. Você já tem Salvador, Recife, Natal e Fortaleza como sedes e poderia envolver outras cidades como João Pessoa, Aracaju, Maceió que estão no “meio do campo”. Em quantos roteiros podemos pensar para o Nordeste?

O ministro é são-paulino de quantas gerações?
Meu pai, meu avô, meu sogro... É uma família de são-paulinos, meus primos, meus tios, quase unanimidade.

Espero que minha filha e meu filho não me deem o desgosto de casar com gente que não seja são-paulina [risos], mas isso eu não posso escolher. Brincadeira, eu só vou deserdar, mas tudo bem [risos].

É uma relação familiar, acho que é uma coisa gostosa também de manter a relação com as gerações passadas. Meu avô já morreu, mas com meu pai e meu filho é uma coisa gostosa que acho que aproxima. A minha filha de 18 anos também é muito ligada ao futebol por minha causa, ela é uma mulher que entende de futebol, vai aos jogos com regularidade, entende de tática, não é só uma torcedora, entende bastante de futebol. Ela estava agora viajando para fora do País e me ligava antes e durante todo jogo do São Paulo para saber quanto estava o jogo, eu ficava passando “torpedo” para ela. Faço o mesmo quando estou fora.

A primeira vez no estádio, lembra?

A primeira vez foi em 1970. São Paulo e Corinthians, perdemos com um gol do Rivelino, se não me engano. Mas foi um ano bom porque o São Paulo foi campeão paulista depois de 13 anos. Em 1970, o São Paulo quebrou um jejum de 13 anos. Era um jogo do Campeonato Paulista e eu assisti à final também, que foi num jogo com o Palmeiras.

Um jogo inesquecível...

Há vários. Mas um jogo inesquecível foi quando a gente ganhou a Copa Libertadores em 1992. Ganhamos de 1 a 0 e depois a disputa em pênaltis contra o Newell’s Old Boys, e eu estava no estádio. Qualquer partida que já vai para uma disputa de pênalti é emocionante. Uma final de Libertadores então...

Um jogo para esquecer...

Um jogo para esquecer? Quando a gente perdeu para o Corinthians e o Raí perdeu dois pênaltis. Perdemos de 3 x 2 para o Corinthians e o Raí conseguiu perder dois pênaltis no mesmo jogo... A gente estava ganhando de 2 x 0, esse é um jogo de que eu não me esqueço, mas queria.
Outro foi aquele da Seleção em 1982 no Sarriá (derrota por 3 a 2 contra a Itália), muito triste.

Um goleiro?

Rogério Ceni.

Um camisa 10?

Gérson.

Um artilheiro?

Careca. E tem também o Luis Fabiano, que hoje “está na moda”, né?

Maior ídolo no futebol?

Raí.

Um sonho no futebol?

Eu não fui, mas gostaria muito de ir a uma final de Campeonato Mundial. Estive duas vezes para ir ao Japão ver o São Paulo, mas não é mais Japão, é outro lugar agora.

Agora será em Dubai...

Gostaria de ir, gostaria de ter a chance de ir e faria esta loucura agora.

Pensando em uma final da Copa de 2014, se o Brasil pudesse estar lá, quem escolheria como adversário?

Argentina. Acho que é bom para o continente sul-americano, é bom para nós aqui ter essa rivalidade positiva com a Argentina. Teria tudo para ser um bom jogo, são dois times que jogam para a frente, conseguir uma final com a gente ganhando, ou então um Brasil x Uruguai para vingar 1950, mas como o Uruguai não está muito bem, eu não acredito nisso.

Já pensou uma final sul-americana no Brasil?

E o que imagina para a nossa seleção de 2014, algum jogador...

Para 2014 não, mas para 2010 tem uma base, futebol muda tanto em cinco anos, né?

Eu acho que o que o Dunga conseguiu é uma base para 2010, acho que a base está feita, com uma ou outra alteração. Acho que a gente tem que valorizar muito os jogadores (e acho que o Dunga acertou nisso), que de fato tem a seleção como uma coisa primordial.

E técnico?

Falta muito tempo. Temos o Felipão, o Luxemburgo, o Muricy, um bom nome, que teria de ser testado, não há muitos outros por enquanto.

Mas acho que se ganharmos em 2010 o Dunga se credencia.

O senhor tem algum ritual para assistir futebol? Alguma superstição?

Não, não tenho não, eu só sofro muito. Eu vou de camisa sempre.

Aquela camisa que dá sorte?

Não, não tenho. Eu sofro muito mesmo, eu sofro mais com o meu time do que com a seleção, com a seleção eu fico mais racional...

 
 05/02/2010 - BRASIL 2014: UMA VISÃO A PARTIR DO MARKETING E DO TURISMO

 



   Torcedor do Barça, Josep Chias é doutor em Ciências de Gestão, master em Administração e uma das principais referências mundiais em marketing turístico e público.

   Chias frisa a importância dos aspectos que definem o marketing de um país: Identidade, Personalidade e ComunicaçãoDesde os anos 80, quando tive a possibilidade de assistir à Copa do Mundo de 1982, na Espanha, e, posteriormente, de 1984 a 1986, quando atuei como responsável pelo marketing da candidatura de Barcelona aos Jogos Olímpicos de 92, descobri que estes dois grandes eventos esportivos são as mais importantes vitrines mundiais para mostrar um país ou uma cidade ao planeta.

   Para aqueles que, como eu, trabalham na área de marketing, ter esta ferramenta à disposição é um privilégio único. A Copa, por ocorrer em uma nação – diferentemente dos Jogos Olímpicos, que estão focados em uma cidade –, oferece maiores possibilidades de ser utilizada como apresentação da imagem de um país. Em 2014, para muitas pessoas será quase a quebra da imagem estereotipada e primária que se tem sobre o Brasil e, para outros, mais experientes, uma renovação desta imagem. Para que isso de fato aconteça é importante que, além dos aspectos técnicos (estádios, organização etc.), sejam também considerados os três aspectos que definem o marketing de um país: Identidade, Personalidade e Comunicação.

   A Identidade pode ser simplificada como a soma da história e do presente e transmite informações e valores associados que permitem definir se estamos falando de um país que já foi ou de um país que foi e agora é. O desafio será mostrar um novo Brasil, o que desejamos ser a partir de agora e para os próximos anos, tornando-o uma nação de referência mundial.

   Já a Personalidade é a soma do que se faz e como se faz, e que nos leva também às informações sobre as realidades econômica, tecnológica, social, entre outras. E, sobretudo, ao jeito brasileiro de viver a vida, de assistir aos jogos e de fazer com que os turistas valorizem o diferencial que é hoje mais destacado nas pesquisas de satisfação após a viagem ao Brasil, o povo brasileiro.

   A Comunicação, terceiro e último aspecto, é o que vamos comunicar e como estes elementos vão ser comunicados em relação ao Brasil, à Copa e às cidades-sedes. Neste ponto, quero enfatizar a grande oportunidade que se apresenta para todo o mundo da comunicação brasileira. É a hora de mostrar que a criatividade, tantas vezes premiada em festivais de publicidade, pode também ser aplicada aos temas da Copa, ao turismo e ao esporte, como bem demonstrou a candidatura do Rio em sua apresentação na Dinamarca.

   Este trabalho deve ser compartilhado entre os diferentes responsáveis dos setores público e privado, do País e das cidades. É absolutamente necessário um conteúdo em comum para se garantir a melhor comunicação possível.

   Turismo e Copa, um evento que se não existisse deveríamos inventar

   Segundo pesquisas feitas para a Copa 2014 e consideradas no Plano Aquarela, de Marketing Turístico Internacional do Brasil, estima-se em 500 mil o número de turistas internacionais que vão desembarcar para assistir ao evento. É uma quantidade importante, porém o mais essencial é reconhecer que o Brasil vai ser notícia de grande interesse para mais de 2 bilhões de pessoas ao redor do mundo.

   Se tivermos a capacidade de seduzir e informá-los sobre o Brasil, sobre a sua imensidade continental, sua diversidade natural, sua cultura viva, sua gente e, sobretudo, o profissionalismo e a qualidade da oferta turística, vamos colocá-lo em um novo patamar, para que seja um País ao qual sempre podem voltar, pois há muito o que conhecer e porque é onde o futuro acontece a cada dia.

   O Plano Aquarela 2020, que inclui Copa Brasil 2014 e Jogos Olímpicos Rio 2016, considera que assim que for finalizado o evento na África do Sul, em 2010, o Ministério do Turismo, por meio da Embratur, deverá colocar em prática um conjunto de ações nos espaços e nos meios de turismo para superar todos os desafios técnicos já assinalados. A Copa será em 2014, mas as ações de comunicação e de promoção turística devem ser iniciadas assim que o Mundial deste ano acabar.

   Depois, deverá se manter uma atividade média durante dois anos. No momento em que se finalizarem os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, se iniciam os quatro anos mais importantes da história do Brasil na mídia. A hora do Brasil no mundo!

   No turismo há experiência e expertise do trabalho internacional, e o apoio vai ser muito importante para lograr o sucesso esportivo e de imagem-País.

   Já temos a mídia a nosso favor – o desafio agora é a mensagem!

   O gol mais bonito de que me lembro? Romário, Ronaldo e Ronaldinho fizeram alguns maravilhosos, mas para mim o de Messi, com o Barça, na final da Champions 2009, contra o Manchester United, foi a demonstração da qualidade dos baixinhos do Barcelona, grande espetáculo! Para assistir aos melhores momentos do jogo mencionado, clique aqui.

   Josep Chias é catalão e torcedor do Barça, “o melhor time do mundo”. Doutor em Ciências de Gestão e master em Administração, é engenheiro, palestrante, autor de livros, professor e considerado uma das principais referências mundiais em marketing turístico e público. É presidente da Chias Marketing Ltda., empresa brasileira de consultoria.

 
 03/02/2010 - O HAITI SOCIAL DAQUI

 



   Tenho escrito alguns artigos neste espaço a respeito dos jovens de agora e a vida que levam no mundo de agora. Eles vivem uma enorme contradição que não foram eles que criaram e nem serão eles que a resolverão. São vítimas.

   Recentemente, um jovem saiu escondido com o carro da mãe, bate num poste em alta velocidade e morre, em Cuiabá. Isso detona a família. Fica a sensação de culpa na família, e nos país, então, é mortal!. Há dois meses um grupo de três rapazes menores de 23 anos faziam racha na avenida Fernando Correa da Costa, à noite, bateram entre si e atropelaram um grupo de pessoas que saíra de uma igreja próxima e estava no ponto de ônibus. Uma das mulheres teve as pernas amputadsa no atropelamento e outras cinco pessoas ficaram muito feridas. Dias depois, a reação do rapaz comentando entre amigos foi esta: pô, cara, foi massa. A mulher tava lá no chão e a perna dela ali perto. Sangue pra todo lado, massa!

   Exemplos semelhantes mostram uma coisa só: despreparo para a vida. A maioria quase absoluta dos jovens de ambos os sexos, desconhecem valores mínimos de solidariedade, de vida em sociedade, do valor da educação, da família, dos bens públicos, da vida das outras pessoas, da própria e não trazem noção do futuro. Pesquisa recente do jornal Folha de S.Paulo entre jovens que estudam nas melhores universidades de São Paulo, revelou que eles vivem cada dia como se fosse o último.

   As fugas da realidade eles fazem através das baladas, das drogas, do álcool,do sexo, da comunicação em rede via internet, celulares e grupos. Existe um perigoso caos instalado no meio da sociedade e não se percebe ou não e mede a sua extensão. A maioria dos crimes de assalto, de drogas, sexuais e latrocínios é praticada por jovens com menos de 25 anos. É o que revela o noticiário policial. Há um vácuo de jovens masculinos entre os 15 e os 24 anos, mortos prematuramente.

   Bom. Dito isto, vem agora uma provocação: o Estado, seja o federal, estaduais ou municipais conseguirão resolver o caos? A resposta é não. O Estado gasta mal, não tem gestão próxima do cotidiano por conta das estruturas grandes e caras. Está passando da hora da sociedade se mexer. As empresas estão gastando bilhões em programas de responsabilidade social com a questão ambiental, treinamento de funcionários, etc. Mas não se dedicaram com a sua enorme capacidade de gestão a programas de educação e resgate moral e social dos jovens em risco. Esperam do Estado, porque pagam impostos. Será uma espera inútil porque neste momento a questão tem que ser tratada dentro da própria sociedade, criadora e vítima desse caos.

   Instituições como universidades, organizações não-governamentais, associações de bairros, clubes de serviço como Rotary, Lions, instituições religiosas, filosóficas e espiritualistas como a Maçonaria, clubes de outras naturezas, poderiam criar redes sociais de salvação da juventude e de endereçamento dela na direção do seu futuro.

   Parece-me que a sociedade precisará se envolver nessa questão do resgate e encaminhamento dos jovens, sob pena de nos tornarmos um Haiti social. Nos bairros periféricos esse caos é pra lá de dramático. Sugeriria que os mais incrédulos conversassem com professores de escolas dos bairros. Vai se assustar com o modo de vida de uma sociedade paralela com valores e regras próprias. Na verdade, em todos os níveis sociais o caos na juventude é haitiano...!

Onofre Ribeiro
jornalista em Mato Grosso e
secretário-adjunto de Comunicação do Estado

 
 
 
 
 

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